Lula vence em eleição mais confusa dos últimos anos

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Com 97,69% das urnas apuradas e 51,74% dos votos válidos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais deste domingo (25) e foi eleito para mais quatro anos de governo federal do PT. A apuração transcorre em meio a uma confusão jurídica que estendeu parte da votação oficial das 17h para 19h, a partir de uma decisão monocrática do ministro Cristiano Zanin.

A liminar foi pedida pelo PT por volta das 15h46 e atendida por Zanin perto das 17h, horário oficial de encerramento das seções eleitorais. Antes da decisão, o PT ainda protocolou petição com informações adicionais às 16h57.

A decisão atropela o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que organiza as eleições e já havia recebido pedidos do PT para prorrogar a votação por causa de problemas locais em municípios da Bahia.

No meio jurídico, há entendimentos de que a decisão abre brecha para que candidatos que perderem a disputa de segundo turno, para a Presidência ou para governos estaduais, busquem anular a eleição.

Pela primeira vez nas votações para presidente do Brasil, o candidato que terminou o primeiro turno atrás na quantidade de votos recebidos, obteve mais votos na segunda etapa, conseguindo “virar” a eleição.

Lula chegou ao resultado depois de uma campanha marcada pela polarização política, pela disputa voto a voto e pela dificuldade de ampliar a avaliação positiva do governo. Pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (21), três dias antes do segundo turno, apontou Flávio com 45% das intenções de voto, ante 44% de Lula.

No primeiro turno, o candidato do PL terminou à frente na votação, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista. A diferença de pouco mais de 2,2 milhões de votos obrigou o presidente a reorganizar a estratégia eleitoral e buscar apoio entre os eleitores dos candidatos eliminados.

Em reunião logo após o resultado do primeiro turno, o presidente disse em reunião com parlamentares aliados que, até então, esta era a campanha menos organizada que ele participou desde a primeira, em 1989. “Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade, poderíamos ter feito mais. Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989”, declarou Lula.

Na etapa decisiva, Lula procurou ampliar sua frente política e mobilizar a base tradicional do PT, enquanto tentava conter o avanço do adversário entre eleitores de centro. Do outro lado, Flávio recebeu apoio de partidos de centro-direita, governadores e lideranças que haviam disputado o primeiro turno, ampliando a pressão sobre o presidente.

“Estamos na prorrogação. Na prorrogação, nós vamos convencer o povo brasileiro. Eu sou muito bom no mata-mata, no tête-à-tête. Aí, nós vamos ver quais são os projetos que o país tem”, disse Lula logo após o primeiro turno.

Créditos: Gazeta do Povo

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