O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve ampla vantagem sobre Flávio Bolsonaro (PL) nas seções eleitorais instaladas em presídios no primeiro turno das eleições de 2026. O cruzamento dos Boletins de Urna disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com a base oficial de transferência temporária do eleitorado aponta 7.123 votos para Lula nas seções de unidades prisionais de adultos, equivalentes a 72,82% dos votos válidos. Flávio recebeu 2.237, ou 22,87%. O Portal de Dados Abertos do TSE disponibiliza os BUs do primeiro turno por unidade da Federação e também o arquivo que identifica as transferências temporárias por seção eleitoral.
Quando também são consideradas as seções instaladas em unidades socioeducativas, o universo analisado chega a 243 seções. Lula soma 8.118 votos, 72,55% dos válidos, enquanto Flávio aparece com 2.605, ou 23,28%. A separação é importante porque presídios de adultos e unidades destinadas a adolescentes são tratados como categorias distintas pela própria regulamentação eleitoral. Os números contrastam com o resultado nacional. Flávio terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com 45,16%. O TSE confirmou os dois candidatos no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Há, porém, uma ressalva necessária. Os números não permitem afirmar que 72,8% dos presos votaram em Lula. As seções instaladas nos estabelecimentos penais também podem receber agentes penitenciários, policiais penais, servidores e mesários transferidos para votar no local. A regulamentação do TSE prevê expressamente a transferência temporária desses profissionais para as seções dos presídios. Por isso, a formulação correta é “votos registrados nas seções instaladas em presídios”.
Também não são todos os presos que podem votar. Para as eleições de 2026, o TSE assegurou o voto aos presos provisórios, definidos como aqueles recolhidos em estabelecimentos penais sem condenação criminal transitada em julgado. A Corte determinou ainda que fossem disponibilizadas seções nos estabelecimentos penais para garantir esse direito.
A manutenção dessas seções chegou a ser discutida neste ano após a aprovação da Lei Raul Jungmann, que criou restrições ao alistamento de pessoas presas provisoriamente. O TSE decidiu que essa parte da nova legislação não poderia valer nas eleições de 2026 por causa do princípio constitucional da anualidade eleitoral. Com isso, as seções prisionais foram mantidas no primeiro turno.
Os resultados usados no levantamento podem ser conferidos seção por seção. Segundo o próprio TSE, cada urna gera um Boletim de Urna ao final da votação, com os votos registrados naquele equipamento, e esses arquivos são disponibilizados publicamente para consulta e auditoria.
Via Redação*


